Livro infantil explica a morte para crianças

Lançamento do ‘O Dia em Que a Vovô do Banzé Morreu’ acontece no Balneário Shopping

Você já pensou em como as crianças lidam com a morte? Como as famílias conversam – ou não conversam – sobre isso? A pesquisadora do luto Mylena Cooper escreveu um livro que propõe ajudar crianças em luto. A autora vem a Santa Catarina lançar a obra “O Dia em que a vovó do Banzé Morreu”, na quarta-feira (17/10), a partir das 19h30, no Balneário Shopping.

Este é o primeiro livro do Brasil sobre morte voltado para crianças. A obra, que e conta história de um macaquinho, explica de forma simples e leve o que acontece quando alguém morre, chamando a atenção para a importância de falar com as crianças sobre esse assunto. O conteúdo é baseado em anos de estudo da autora na psicologia do luto e em experiências relatadas.

“O livro traz sugestões para ajudar a explicar alguns aspectos práticos da morte, sem entrar no mérito religioso ou no pós-morte. É uma forma de abrir diálogo com a criança, já que evitar o assunto pode torná-la um adulto mais frágil e com bloqueios”, diz Mylena.

Empresária do ramo funerário, Mylena já vivenciou inúmeras ocasiões de velórios e reforça que falar a verdade para os pequenos é sempre a melhor opção.  “Falar que a pessoa falecida foi viajar, por exemplo, cria a expectativa da volta e faz a criança pensar que a pessoa se esqueceu dela”. Comparar a morte com um sono profundo, ou com dormir, também pode causar transtornos. “Fantasias, como ‘virou uma estrela’ ou ‘agora tem asas’, é sempre melhor deixar para a própria criança desenvolver da forma que for mais reconfortante para ela”, aconselha.

Um bom começo, segundo a autora, é descobrir o que a criança pensa sobre a morte. “É surpreendente ver a percepção que as crianças já possuem. A morte está nos desenhos, livros e filmes infantis, nos noticiários e nas conversas dos adultos. Muitas crianças já vivenciaram a perda de um peixinho, um gato ou um cachorro. Além disso, elas só perguntam sobre aquilo cuja resposta estão prontas para ouvir”, diz.

Ouvir e dar carinho

Levar a criança ao velório ou ao cemitério não é errado. Segundo Mylena, não se deve forçar, mas pode-se encorajar a criança a ir. “As crianças são membros da família e têm direito de participar desse momento para esclarecer suas dúvidas e fantasias. Participar das etapas faz com que elas se sintam importantes. As visitas ao cemitério ou à Sala de Memórias de cinzas são boas aberturas para elas exporem o que sentem”, afirma.

O livro também esclarece que é normal chorar e expressar tristeza, e que a criança não tem culpa sobre a morte da pessoa querida – o que é comum ocorrer. Mas, acima de tudo, esclarece Mylena, o que as crianças mais precisam nesses momentos é se sentir amadas e seguras. “Conhecimento nenhum é mais poderoso do que o amor. É tudo de que a criança precisa: bons ouvidos e um bom colo”, resume.

Sobre a autora

Mylena Cooper é publicitária e empresária do ramo funerário. Representa o Brasil, junto a mais de 80 países, no Comitê da FIAT-IFTA (Federação Internacional de Associações de Tanatologia), a maior organização mundial do segmento e do estudo da morte. Em 15 anos de carreira, participou de centenas de congressos nacionais e internacionais relacionados ao luto. Pesquisadora da psicologia do luto e de ritos fúnebres, Mylena tem seu trabalho voltado ao auxílio no processo da perda. A autora é sócia-diretora da Funerária Vaticano, dos Crematórios Vaticano e do Cemitério Vaticano.

Lançamento do livro ‘O Dia em Que a Vovô do Banzé Morreu’

Data: 17/10/2018

Local: Livraria Catarinense do Balneário Shopping

Endereço: Av. Santa Catarina, 1 – Estados, Balneário Camboriú

Horário: A partir das 19h30