O Empoderamento cai na folia com enfrentamento, respeito e esperança

Esse carnaval será o primeiro com a lei da importunação sexual, ou seja, o desrespeito ao meu não, ao seu não, agora é crime! A folia do Carnaval não vai mais permitir que o lado obscuro passe desapercebido. Esse lado obscuro, machista e preconceituoso que faz com que o número de mulheres vítimas de assédio, abuso e violência cresça de forma absurda e assustadora a cada ano. O mesmo lado obscuro que tornou a prática do assédio comum e que para muitos, infelizmente, ainda é vista como uma brincadeira na cultura da pseudo permissividade do Carnaval.

Esse lado obscuro que faz com que os excessos – de álcool, drogas e pseudo masculinidade -não reconheça a sonoridade da palavra não. Afinal, o não é e será não sempre. E um não basta. Ou deveria bastar… Bom que a representatividade feminina ganhou força através da lei, através da união entre as mulheres, através dos aplicativos para denúncias, através de campanhas de conscientização e através das redes sociais. Ter uma lei que garante a representatividade e o direito de todas nós mulheres se divertirem, com muita ou pouca roupa, ou até sem roupa; direito de usar nosso corpo e nossa voz como símbolo de luta, e não de um convite, é uma grande vitória.

Mais do que a preservação da nossa integridade física e da nossa liberdade de escolha estamos falando também da nossa integridade emocional. Afinal, enquanto para muitos o carnaval é marcado por diversão e felicidade, para muitas será lembrado como dor, sofrimento e constrangimento. O clima de festa nas ruas mascara o abuso, mascara a violência, mas não faz com que ele seja menos dolorido e traumatizante só porque ele é regado a confete e serpentina.

Pesquisas indicam que 82% das mulheres já foram vítimas de assédio durante esse período do ano. Apesar do número alarmante, menos de 30% se sentem encorajadas a denunciarem o abusador, seja pelo trauma, pela vergonha ou até mesmo pelo modelo construído de que a vítima ainda é a culpada pelo ocorrido. Neste momento, ressalto a importância do movimento e do Empoderamento Emocional para o fortalecimento da construção dessa nova cultura de enfrentamento ao assédio.

Crédito: Reprodução/Instagram @naoenao_

Embora muitas mulheres sintam-se representadas no movimento de Empoderamento Feminino, ainda falta coragem para efetivar a denúncia, o que no contexto atual da nossa sociedade onde casos de feminicídios são divulgados diariamente, é compreensível que as mulheres ainda sintam-se desencorajaras ou fragilizadas. Mas estamos em construção, e cada passo, cada pequena conquista, cada não, cada denúncia, cada pedido de ajuda, cada mão estendida, cada tatuagem, marcha, acessório, hashtag nos fortalece e nos ajuda a sair dessa posição de vulnerabilidade.

Por esse motivo esse carnaval é uma grande conquista não só das mulheres, mas da sociedade, que se torna mais saudável onde existe o respeito e a esperança de um país melhor.


Camila Custódio é Terapeuta, Palestrante e Coach. Formação em Serviço Social, com especialização em Terapia de Família e Casal, Pós-graduada em Psicologia Transpessoal, Mastercoach em Mauêutica Socrática, Especialista em Inteligência Emocional pela Academia da Inteligência do Dr. Augusto Cury.

Patrick Schneider ​- Jornalista