Artista autodidata blumenauense falecido há 13 anos deixou entre tantos legados o nome de uma das salas do MAB.

Alberto Luz foi o homenageado em abril.

Na quarta-feira, dia 15 de abril, completou 13 anos do falecimento do artista Alberto Luz. “Foi um dos maiores artistas contemporâneos do Estado. Seu trabalho foi refletido em muitos outros grandes nomes da cena das artes visuais catarinenses”, resumiu o secretário de Cultura, Rodrigo Ramos. “Jamais viajei com a intenção única de absorver o modismo das grandes metrópoles. Quer daqui, quer do Exterior. Gostaria sempre de ser lembrado – se o for – por ser eu mesmo e nunca por lembrar nomes consagrados”, escreveu Alberto Luz em certa passagem de sua vida.

O artista autodidata Alberto Nelson Beduschi Luz, ou simplesmente Alberto Luz, nasceu em Blumenau. Iniciou pelo desenho, pintura (óleo sobre tela), tapeçaria, colagem, gravura e escultura, sempre em um processo gradual e seguro. As colagens foram frutos dos anos 1980, da reciclagem e reaproveitamento de materiais, quando passou a coletar selos, figuras de borboletas, fotos antigas, recortes, papeis de diferentes cores, plantas e flores, entre outros, utilizando-os em seus trabalhos. “Considerava que todo material, desde que não fosse perecível, poderia ser utilizado em obras de arte. Dizia que no Vale do Itajaí estavam as fontes de sua criatividade, os vegetais, as cercas dos pastos, os insetos, a luz de prata e transparência. O resto vinha da memória, dos sótãos, da infância cheia de sonhos em Blumenau”, lembra a gerente do Museu de Arte (MAB), Mia Ávila.

As esculturas


Nas esculturas, utilizava bustos, cabeças, membros de manequins, tudo com muita cor e adereços. Em uma entrevista concedida ao “O Estado” em julho de 1977, conta: “Uma incursão ao sótão de minha casa levou-me a descobrir uns abandonados manequins de gesso, desses expostos nas vitrines comerciais. Apanhei um pincel e óleo e comecei a pintar um desses objetos e percebi, imediatamente, grandes possibilidades artísticas com esse material. Inspirando-me no conselho de Picasso, segundo o qual “99% é trabalho, 1% é talento” lancei-me, febrilmente ao trabalho”.

         
Sua trajetória conta com mais de 40 anos dedicados às artes plásticas que lhe renderam prêmios, exposições nacionais e internacionais cuja consistência lhe permitiram afirmar: “Lutei muito tempo para não ter a obrigação de assinar minha produção. Pode soar a petulância, mas não o é. O estilo que eu mesmo criei, quem se interessa, pode identificá-lo sem assinatura.”

Em 1979, ao lado de Elke Hering e Juarez Machado, Alberto Luz fez parte dos únicos catarinenses a participarem da primeira Exposição de Arte Erótica – EROS/Salão de Arte Erótica Galeria de Arte Aplicada – São Paulo (SP), organizada por Sabina Libman (curadora e administradora da Galeria Arte Aplicada) e Pietro Maria Bardi (foi por 45 anos consecutivos diretor do Museu de Arte de São Paulo – Masp). Ainda em 1979, recebeu convite de Pietro Maria Bardi, para participar com duas obras “Pernas” e “Serpente de Plumas” na exposição “5 séculos de Arte Brasileira” no Masp. Rafaela Bell, que atuava como diretora do MAB, durante a gestão de Marion Bubeck, sugeriu para ter uma sala no museu com o nome do artista.

Como reconhecimento pelo seu trabalho, pela expressividade de sua obra, sua dedicação à arte catarinense e sua importância no cenário artístico, a então Fundação Cultural de Blumenau, hoje Secretaria Municipal de Cultura, lhe prestou homenagem, dando seu nome a uma das salas da Galeria Municipal de Arte. A cerimônia aconteceu no dia 16 de março de 2006 com a abertura de uma exposição que contou com uma retrospectiva de suas obras. Um ano após, faleceu aos 76 anos, no dia 15 de abril de 2007.

(Foto: Divulgação)

As obras são de acervo particular